Gestão: 3 dogmas da Geração X que já passaram da validade faz tempo

Vamos lá.

Tenho contato com a nova geração de gestores de suporte. Ministro cursos a ela. Leio artigos e manifestações no Linkedin e em diversas outras fontes. Presto consultoria.

E algo me surpreende.

Ideias sexagenárias

Muitas verdades absolutas da Geração X — aquelas pessoas que nasceram na década de 1960 e que hoje têm uns 60 ou mais anos — seguem firmes no ambiente corporativo.

De relance, sem muito pensar, posso imaginar alguns motivos:

  1. Os atuais professores ainda são velhos — como eu.
  2. A vasta literatura existente foi, em sua maioria, escrita pela Geração X.
  3. Os jovens não têm tempo suficiente para validar o conhecimento circulante, seja por que têm muitas tarefas, seja por que Instagram, Tiktok, Campeonato Brasileiro, Shopee etc. drenam sua atenção.

Quero apresentar três aspectos que considero não fazerem mais sentido.

1. Feedback negativo em privado

É a tradicional crítica construtiva, um eufemismo (Houaiss: palavra, locução ou acepção mais agradável, de que se lança mão para suavizar ou minimizar o peso conotador de outra palavra, locução ou acepção menos agradável).

Se vou apontar algo inadequado no comportamento de um colega a ele, chamo-o em ambiente reservado e expresso meu pensamento.

Problemas com essa atitude:

  • Geralmente delegada a um gerente, ela perpetua uma estrutura hierárquica (Padre, General, Pai) que impede os outros de participar, opinar e deposita toda a responsabilidade da tarefa nos ombros do gestor.
  • Ninguém mais aprende a lição, se ela for útil para todos.

Sugestão:

  • Você trabalha com adultos. Quanto mais tratá-los como crianças, mais chances há de se comportarem assim.
  • Faça tudo em público. Mas em reuniões apropriadas.
  • Dessa forma, todos podem dar feedbacks, sejam positivos ou negativos, para os colegas, aliviando o “boss” dessa atribuição.
  • Os participantes podem questionar, discordar, debater, aprender JUNTOS. Em letras garrafais (que é grande, graúdo e facilmente legível): JUNTOS.
  • Óbvio, há maneiras do feedback ser mais efetivo. Exemplo: em vez de julgar uma ação — “Você é relaxado para registrar os chamados” — diga: “Você coloca poucos detalhes no registro dos chamados”.

“Ah, por que temos origem latina e…”

Pare com isso.

São subterfúgios para continuar com mimimi, sensação de pena, “coitado dele” etc.

Seus colegas de trabalho são adultos.

Vamos ajudá-los a crescer. Pessoal e profissionalmente.

Inclusive você, prepare-se para feedbacks de “baixo para cima” (p* preconceito usá-la, mas é o que todos falam quando querem dizer que os subordinados comentarão suas condutas).

É claro, o sujeito roubou um notebook, não tem feedback para melhoria de comportamento. É justa causa — na minha opinião —, apesar da legislação exigir advertências etc.

Gestor precisa ser o mais corajoso da sala

O Baldin me mata com essa!

Assista a esse vídeo no Linkedin (espero que consiga ter sucesso).

Lá ele explica que o gestor precisa ser o mais corajoso da sala.

Lamento.

Coisas da Geração X que o pai dele, o espetacular Valdemar Baldin, deve ter incutido nele.

Recomendo a leitura deste artigo: Would You Have Hired Steve Jobs?, Ogilvy, de 26/03.

Coisa recente.

Há neles uma ideia básica:

Steve Jobs era um demônio. De malvado mesmo. Malcriado. Fedorento (no início da carreira, o chefe o transferiu para o turno da noite, pois o pessoal do dia não o aguentava). E outras desqualificações.

Mas tinha suas qualidades. Estupendas.

Citação no texto de Peter Drucker: “Contrate pessoas pelos seus pontos fortes, não pela ausência de fraquezas.

Ou seja, mesmo se a pessoa não for corajosa, mas tiver altas qualidades, vem pra firma!

Então o gestor não precisa ser o mais inteligente. O mais corajoso. O líder blá-blá-blá.

Só precisa ter as qualidades suficientes para o cargo de tal forma que entregue os resultados desejados.

Motivação é na base da recompensa

Katzo.

Muita gente ainda oferece grana como forma de incentivo a um melhor desempenho.

E acaba quebrando a cara por que a nova geração, até uns 30 anos de idade, não precisa de dinheiro (claro, não falo da classe mais desfavorecida).

Ela mora com os pais. Tem notebook, iPhone, ar-condicionado, carro/moto etc.

A forma de motivar é outra, tão bem ilustrada por Giuliano Machado há muito tempo:

Jogos!

Essa gurizada nasce jogando. A mãe quer o filho quieto no ônibus, mete um jogo no celular e entrega pra ele. O pai quer o piá quieto no restaurante, entrega o tablet com um game.

Na escola, os clãs se formam naturalmente.

Ninguém quer jogar futebol e ralar os joelhos (salvo os skatistas). É mais confortável, mais desafiador, mais tenso, mais tudo, participar do FIFA 2047 do que suar lá na rua no calor de 40 graus. Ou friaca de 5.

Então por que no ambiente corporativo continuamos tentando engajar os colaboradores a “quem resolver mais chamados ganhará meio salário de bônus?”.

Um jogo com uma premiação furreca mobiliza muito mais do que uma grana mixuruca a mais no final do mês.

Atenção!!

Viajo para o exterior quinta-feira. Tiro férias de 2 semanas.

Mas alerto:

O próximo curso de Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk é PRESENCIAL.

Em São Paulo. dias 21-22-23 de maio, bem atrás do Shopping Paulista.

E quem for, recebe de graça, exemplares dos meus CINCO livros.

Inscrições em https://www.4hd.com.br/calendario/

Feito.

EL CO

 

 

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